terça-feira, 10 de junho de 2008
Texto de Leonardo Da Vinci - Sobre a importância da observação
A ave é um engenho que trabalha de acordo com leis matemáticas, e o homem tem capacidade para reproduzi-lo com todos os seus movimentos, porém não com o mesmo grau de força, tornando-o deficiente apenas no seu poder de manter o equilíbrio Por isso podemos dizer que tal engenho construído pelo homem é completo, excetuando-se a vida própria da ave: essa vida precisa ser suprida pela do homem.
A vida que está nos membros da ave, certamente, de corresponder melhor às suas necessidades do que aquela do homem que não está neles, e isso sente-se, sobretudo, nos movimentos imperceptíveis que lhe garantem o equilíbrio. Porém através da visão podemos perceber a variedade de movimentos desses animais e por essa experiência é possível declarar que os movimentos mais rudimentares são passíveis de serem compreendidos pelo entendimento humano, de modo que ele, homem, será capaz de tomar providências para que não se destrua esse engenho do qual se tornou o princípio vivo.
(The note-books of Leonardo Da Vinci, p. 511)INICIO
Texto de Leonardo Da Vinci - Sobre o uso das obras da Antiguidade Clássica
Como eu não tenho cultura literária, alguém presunçoso, eu bem sei, se acreditará com base para criticar-me, alegando que eu não conheço as letras. Ele sustentará que, por minha falta de experiência literária, não posso tratar como é necessário das questões com as quais me ocupo (...)
O que vale mais, desenhar a partir da natureza ou a partir dos antigos? E o que é mais difícil, os contornos ou a sombra e a luz?
(...) Como se as pessoas não tivessem vida suficiente para adquirir conhecimento de um único objeto como o corpo humano.
(Leonardo Da Vinci. Traité de la peinture, p.8.)INICIO
Texto de Leonardo Da Vinci - Sobre as suas obras artísticas, invenções e habilidades
(...) Já fiz planos de pontes muito leves (...) Sou capaz de desviar a água dos fossos de um castelo cercado (...) Conheço meios de destruir seja que castelo for (...) Sei construir bombardas fáceis de serem deslocadas (...) galerias e passagens sinuosas que se podem escavar sem ruído nenhum (...) carros cobertos, estáveis e seguros, armados com canhões.
(...) Estou, sem dúvida, em condições de competir com qualquer outro arquiteto, tanto para construir edifícios públicos ou privados como para conduzir água de um sítio para o outro.
E, em trabalhos de pintura ou na lava de mármore, do metal ou da argila, farei obras que seguramente podem suportar o confronto com qualquer outro, seja ele quem for.
(Trecho de uma carta de Leonardo Da Vinci a Ludovido Sforza)INICIO
Texto de Leonardo Da Vinci - Sobre a importância da natureza como fonte de inspiração do pintor.
O espírito do pintor deve fazer-se semelhante a um espelho que adota a cor que vê, enche-se de tantas imagens quanto aquelas que tem diante de si. Sabendo, pintor, que para ser excelente, tu deves ter uma aptidão universal de representar todos os aspectos das formas produzidas pela natureza, só poderás faze-lo se olha-las e recolhe-las em teu espírito.
(Leonardo Da Vinci. Traité de la peinture, p. 50)INICIO
Texto de Leonardo Da Vinci - Sobre a importância de variar os temas das obras artísticas
Uma vez que sabemos que a pintura abarca tudo o que a natureza produz e tudo o que as operações humanas criam, ou, em outras palavras, tudo o que é visível, parece-me pobre o mestre que só sabe fazer um tipo de figura.
Não vês o número e as diferenças dos gestos de um homem? Não vês como são diversos os animais e também as árvores, ervas, flores e vários os lugares, montanhas, planícies, fontes, rios, cidades, edifícios públicos e privados, máquinas úteis aos homens, diferentes as roupas, os ornamentos, as artes? Todas essas coisas devem ser perfeitas e bem executadas por aquele que merecerá ser chamado bom mestre.
(Leonardo Da Vinci. Traité de la peinture, p. 52-4)INICIO
Texto de Leonardo Da Vinci - Sobre a existência da sombra nos corpos
(Sombra e luz) estão sempre juntas nos corpos, e a sombra é mais poderosa que a luz, pois ela pode interromper completamente a luz e dela privar os corpos, enquanto a luz nunca pode esconder toda a sombra dos corpos não translúcidos.
(...) A sombra pode ser infinitamente obscura ou mostrar uma infinidade de nuances tendendo ao claro.
(...) A sombra é a manifestação, pelos corpos, das formas.
As formas dos corpos não mostrariam suas particularidades sem a sombra.
(Leonardo Da Vinci. Traité de la peinture, p. 93)INICIO
Texto de Leonardo Da Vinci - Sobre a perspectiva
A perspectiva não é nada mais do que a visão de uma cena atrás de um vidro plano e bem transparente, sobre a qual se marcam todos os objetos que estão do outro lado desse vidro; eles podem ser ligados ao centro do olho por linhas que formam uma série de pirâmides, e essas pirâmides são interceptadas pelo dito olho.
(Leonardo Da Vinci. Traité de la peinture, p. 97-98)INICIO
Texto de Leonardo Da Vinci - Sobre o humanismo
Se o pintor quiser ver as belezas que lhe inspiram o amor, ele tem a faculdade de cria-las, e se ele quiser ver as coisas monstruosas que amedrontam, ou as engraçadas que fazem rir, ou ainda aquelas próprias a inspirar piedade, ele é delas mestre e senhor; e se ele quiser criar paisagens, desertos, lugares ensombrecidos e frescos no calor, ele os representa; da mesma forma os lugares quentes (...) Se ele quiser os vales, se ele quiser descobrir grandes extensões de cimo das montanhas, e se, depois, ele quiser ver o horizonte do mar, ele tem o poder (...) O que existe no universo por essência, presença ou ficção, ele tem, primeiro no espírito, depois nas mãos. E estas têm uma tal virtude que engendram num dado momento uma harmonia de proporções como se fossem realidade. Leonardo da Vinci
Conto de verão nº 2: Bandeira Branca
Conto de verão nº 2: Bandeira Branca
de Luís Fernando Verissimo
Ele: tirolês. Ela: odalisca; Eram de culturas muito diferentes, não podia dar certo. Mas tinham só quatro anos e se entenderam. No mundo dos quatro anos todos se entendem, de um jeito ou de outro. Em vez de dançarem, pularem e entrarem no cordão, resistiram a todos os apelos desesperados das mães e ficaram sentados no chão, fazendo um montinho de confete, serpentina e poeira, até serem arrastados para casa, sob ameaças de jamais serem levados a outro baile de Carnaval.Encontraram-se de novo no baile infantil do clube, no ano seguinte. Ele com o mesmo tirolês, agora apertado nos fundilhos, ela de egípcia. Tentaram recomeçar o montinho, mas dessa vez as mães reagiram e os dois foram obrigados a dançar, pular e entrar no cordão, sob ameaça de levarem uns tapas. Passaram o tempo todo de mãos dadas.Só no terceiro Carnaval se falaram.- Como é teu nome?- Janice. E o teu?- Píndaro.- O quê?!- Píndaro.- Que nome!
Ele de legionário romano, ela de índia americana.
Só no sétimo baile (pirata, chinesa) desvendaram o mistério de só se encontrarem no Carnaval e nunca se encontrarem no clube, no resto do ano. Ela morava no interior, vinha visitar uma tia no Carnaval, a tia é que era sócia.
- Ah.
Foi o ano em que ele preferiu ficar com a sua turma tentando encher a boca das meninas de confete, e ela ficou na mesa, brigando com a mãe, se recusando a brincar, o queixo enterrado na gola alta do vestido de imperadora. Mas quase no fim do baile, na hora do Bandeira Branca, ele veio e a puxou pelo braço, e os dois foram para o meio do salão, abraçados. E, quando se despediram, ela o beijou na face, disse -Até o Carnaval que vem- e saiu correndo.
No baile do ano em que fizeram 13 anos, pela primeira vez as fantasias dos dois combinaram. Toureiro e bailarina espanhola. Formavam um casal! Beijaram-se muito, quando as mães não estavam olhando. Até na boca. Na hora da despedida, ele pediu:
- Me dá alguma coisa.- O quê?- Qualquer coisa.- O leque. O leque da bailarina.Ela diria para a mãe que o tinha perdido no salão.Divisor Horizontal Clássico
No ano seguinte, ela não apareceu no baile. Ele ficou o tempo todo à procura, um havaiano desconsolado. Não sabia nem como perguntar por ela. Não conhecia a tal tia. Passara um ano inteiro pensando nela, às vezes tirando o leque do seu esconderijo para cheirá-lo, antegozando o momento de encontrá-la outra vez no baile. E ela não apareceu. Marcelão, o mau elemento da sua turma, tinha levado gim para misturar com o guaraná. Ele bebeu demais. Teve que ser carregado para casa. Acordou na sua cama sem lençol, que estava sendo lavado. O que acontecera?
- Você vomitou a alma - disse a mãe.
Era exatamente como se sentia. Como alguém que vomitara a alma e nunca a teria de volta. Nunca. Nem o leque tinha mais o cheiro dela.
Mas, no ano seguinte, ele foi ao baile dos adultos no clube - e lá estava ela! Quinze anos. Uma moça. Peitos, tudo. Uma fantasia indefinida.
- Sei lá. Bávara tropical - disse ela, rindo.
Estava diferente. Não era só o corpo. Menos tímida, o riso mais alto. Contou que faltara no ano anterior porque a avó morrera, logo no Carnaval.
- E aquela bailarina espanhola? - Nem me fala. E o toureiro? - Aposentado.
A fantasia dele era de nada. Camisa florida, bermuda, finalmente um brasileiro. Ela estava com um grupo. Primos, amigos dos primos. Todos vagamente bávaros. Quando ela o apresentou ao grupo, alguém disse -Píndaro?!- e todos caíram na risada. Ele viu que ela estava rindo também. Deu uma desculpa e afastou-se. Foi procurar o Marcelão. O Marcelão anunciara que levaria várias garrafas presas nas pernas, escondidas sob as calças da fantasia de sultão. O Marcelão tinha o que ele precisava para encher o buraco deixado pela alma. Quinze anos, pensou ele, e já estou perdendo todas as ilusões da vida, começando pelo Carnaval. Não devo chegar aos 30, pelo menos não inteiro. Passou todo o baile encostado numa coluna adornada, bebendo o guaraná clandestino do Marcelão, vendo ela passar abraçada com uma sucessão de primos e amigos de primos, principalmente um halterofilista, certamente burro, talvez até criminoso, que reduzira sua fantasia a um par de calças curtas de couro. Pensou em dizer alguma coisa, mas só o que lhe ocorreu dizer foi -pelo menos o meu tirolês era autêntico- e desistiu. Mas, quando a banda começou a tocar Bandeira Branca e ele se dirigiu para a saída, tonto e amargurado, sentiu que alguém o pegava pela mão, virou-se e era ela. Era ela, meu Deus, puxando-o para o salão. Ela enlaçando-o com os dois braços para dançarem assim, ela dizendo -não vale, você cresceu mais do que eu- e encostando a cabeça no seu ombro. Ela encostando a cabeça no seu ombro.Divisor Horizontal Clássico
Encontraram-se de novo 15 anos depois. Aliás, neste Carnaval. Por acaso, num aeroporto. Ela desembarcando, a caminho do interior, para visitar a mãe. Ele embarcando para encontrar os filhos no Rio. Ela disse -quase não reconheci você sem fantasias-. Ele custou a reconhecê-la. Ela estava gorda, nunca a reconheceria, muito menos de bailarina espanhola. A última coisa que ele lhe dissera fora -preciso te dizer uma coisa-, e ela dissera -no Carnaval que vem, no Carnaval que vem- e no Carnaval seguinte ela não aparecera, ela nunca mais aparecera. Explicou que o pai tinha sido transferido para outro estado, sabe como é, Banco do Brasil, e como ela não tinha o endereço dele, como não sabia nem o sobrenome dele e, mesmo, não teria onde tomar nota na fantasia de falsa bávara-
- O que você ia me dizer, no outro Carnaval? - perguntou ela. - Esqueci - mentiu ele.
Trocaram informações. Os dois casaram, mas ele já se separou. Os filhos dele moram no Rio, com a mãe. Ela, o marido e a filha moram em Curitiba, o marido também é do Banco do Brasil- E a todas essas ele pensando: digo ou não digo que aquele foi o momento mais feliz da minha vida, Bandeira Branca, a cabeça dela no meu ombro, e que todo o resto da minha vida será apenas o resto da minha vida? E ela pensando: como é mesmo o nome dele? Péricles. Será Péricles? Ele: digo ou não digo que não cheguei mesmo inteiro aos 30, e que ainda tenho o leque? Ela: Petrarco. Pôncio. Ptolomeu.
o que é arte ?
Arte a força da expressão humana onde através dela o artista exprime seus pensamentos.A definição original e abrangente de arte (do latin ars, significando técnica ou habilidade) é o produto ou processo em que conhecimento é usado para realizar determinadas habilidades.Ernst Gombrich, famoso historiador de arte, afirmou que:nada existe realmente a que se possa dar o nome de Arte. Existem somente artistas (A História da Arte, LTC ed.). Arte é um fenômeno cultural. Regras absolutas sobre arte não sobrevivem ao tempo, mas em cada época, diferentes grupos (ou cada indivíduo) escolhem como devem compreender esse fenômeno.Arte pode ser sinônimo de beleza, ou de uma Beleza transcendente. Dessa forma, o termo passa a ter um caráter subjetivo, qualquer coisa pode ser chamada de Arte, desde que alguém a considere assim, não precisando ser limitada à produção feita por um artista. ♫ ♪ ♫ Um abraço! ♫ ♪ ♫
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Nota: Para outros significados de Geografia, ver Geografia (desambiguação).
Paisagem africana
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A Geografia é uma ciência que tem por objeto de estudo o espaço; não o espaço cartesiano, mas o espaço produzido através das relações entre o homem e o meio, envolvendo aspectos dialéticos e fenomenológicos. Para Vidal de La Blache Geografia é a Ciência dos Lugares, já Hartshorne diz ser a ciência da diferenciação de áreas.
A concepção dialética do espaço geográfico entende que a natureza humanizada influencia e é influenciada pela sociedade que produz e reproduz o seu espaço. Uma definição simples poderia ser: Geografia é o estudo da superfície terrestre e a distribuição espacial de fenômenos geográficos, frutos da relação recíproca entre homem e meio.
O profissional que estuda a geografia é o geógrafo.
Contents[hide]
1 Ontologia
2 Epistemologia
3 Cartografia
4 Geógrafo e Professor de Geografia
5 Ver também
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[edit] Ontologia
Há muitas interpretações do que seria o objecto geográfico. Ratzel afirma que a Geografia estuda as relações recíprocas entre sociedade e meio, entre a vida e o palco de seus acontecimentos. Filósofos que buscaram criar uma ontologia marxista como Georg Lukács, influenciaram a construção de um modelo de análise do objecto da Geografia. Milton Santos se debruçou sobre a construção de um modelo ontológico, explicitado na análise dialéctica do movimento da totalidade para o lugar.
Uma afirmação comum é de que Há tantas geografias quanto forem os geógrafos. Apesar de as múltiplas possibilidades de orientações teórico metodológicas caminharem em direcções diferentes, deve-se respeitar a caracterização da Ciência Geográfica e as formulações acerca de seu objecto.
Cabe ainda afirmar que a distinção entre Geografia Humana e Geografia Física se refere aos ramos da Ciência Geográfica, pois as Geograficidades não apresentam essa fragmentação, decorrente exclusivamente da construção do conhecimento sobre a realidade.
[edit] Epistemologia
A Geografia como ciência surge sob forte influência do Positivismo Lógico. E essa condição se expressa em grande parte nos estudos de geografia até hoje. Entretanto, a Ciência evoluiu e transformou as suas orientações teórico-metodológicas.
Sobre a sua epistemologia, é proverbial ressaltar um problema não só da geografia, como também de todas as ciências ambientais: Os recursos metodológicos utilizados na verificação dos postulados ou estudos geográficos são oriundos aos primeiros passos do naturalismo (Humboldt e Ritter).
É fácil concluir que em detrimento de diversas mudanças na temática ambiental, as ciências ambientais não poderiam utilizar recursos verificatórios de um lapso cronológico em que a vertente ambiental não provia atenção alguma da mídia e menos ainda dos poderes políticos, que enxergavam apenas o fortalecimento de suas economias em função de uma interminável exploração e esgotamento dos recursos naturais. Então, é extremamente necessário pensar em uma nova epistemologia, não só para geografia, mas para as demais ciências auto-denominadas "ambientais".
Com o surgimento da discussão a respeito de um estatuto próprio para as Ciências Humanas, a Geografia sente a necessidade de revisar sua epistemologia. Os críticos do positivismo, sob influência do Historicismo de Hegel e Dilthey, afirmavam ser impossível manter a objetividade e a neutralidade do conhecimento científico. Um exemplo claro é a idéia de Incomensurabilidade do Conhecimento, de Thomas Kuhn, na qual afirma a impossibilidade de separar os conceitos e juízos de valor do conhecimento dito neutro.
Ainda no contexto do embate historicismo x positivismo surgem dois grandes nomes da Geografia: Friedrich Ratzel e Vidal de La Blache. O primeiro, influenciado por Ritter e Haeckel, notabilizou-se pelos estudos de Geografia Política e de alguma forma ajudou a consolidar a Geografia de Estado. Já o outro, empirista, trabalhou principalmente sobre o conceito de Gênero de Vida e afastou s Geografia das relações com a sociologia, então representada pela morfologia social de Émile Durkheim. Essa condição é exemplificada na famosa definição: Geografia é a ciência dos lugares e não dos Homens. La Blache e Ratzel representavam respectivamente as escolas Francesa e Alemã em uma época em que as universidades se fecharam em seus próprios países criando escolas nacionais. Lucien Febvre, historiador francês, em seu livro A Terra e Evolução do Homem, criou uma imagem reducionista deste conflito teórico-ideológico, através da criação dos conceitos de escolas geográficas: Determinismo e Possibilismo. Essa consideração reducionista contribuiu para criar imagens errôneas sobre os dois autores, e por muito tempo Ratzel foi entendido como simples determinista geográfico e La Blache como um simples possibilista geográfico. Hoje essa concepção foi superada e o recorte abstrato de Febvre foi relativizado, na medida em que nenhum dos dois Geógrafos enquadrava-se completamente nas escolas a eles atribuídas.
Durante a renovação pragmática no EUA, surgiu uma corrente chamada Geografia Teorética, na qual os métodos quantitativos geográficos agem com métodos numéricos peculiares para (ou pelo menos é muito comum) a geografia. Por consequência à análise do espaço, provavelmente encontrará temas como a análise de rácios, análise discriminatória, e não – paramétrica e testes estatísticos nos estudos geográficos. Um expoente dessa corrente no Brasil foi Antonio Christofoletti, co-fundador da Revista de Geografia Teorética.
Sob a influência da Fenomenologia de Husserl e Merleau-Ponty foram desenvolvidos estudos de Geografia da Percepção, que valorizam a construção subjetiva da noção de espaço perceptivo. Inter-relações com a psicologia de massas e psicanálise, entre outras áreas, garantiram uma multidisciplinalidade desses estudos na (re)construção de conceitos como horizonte geográfico, (percepção do) lugar, sociabilidade e percepção do espaço, espaço esquizóide, entre outros. Alguns textos de Armando Corrêa da Silva fazem referência à Geografia da Percepção.
No final da década de 70 iniciou-se um movimento de renovação crítica da Geografia, marcado no Brasil pelo encontro nacional de Geógrafos em 1978 no Ceará. Esse movimento acompanhou a inserção do marxismo como base teórica do discurso geográfico e assimilou um arcabouço conceitual do marxismo na construção de teorias sobre a (re)produção do espaço e a formações sócio-espaciais.
No Brasil, um representante dessa corrente foi Milton Santos. O geógrafo Armando Corrêa da Silva escreveu alguns artigos sobre as possíveis limitações que uma adesão cega a essa corrente pode causar.
Na Itália, Massimo Quaini foi o principal autor a escrever sobre a relação entre a corrente marxista e a Ciência Geográfica.
O principal veículo de divulgação da Renovação Crítica da Geografia foi a Revista Antipode, criada em agosto de 1968 nos Estados Unidos, sob a direção editorial de Richard Peet, então professor na University of British Columbia. O primeiro artigo da Revista justificava seu subtítulo – A Radical Jornal Of Geography – escrito por David Stea, “Positions, Purposes, Pragmatics: A Journal Of Radical Geography”, introduzia no mundo acadêmico um publicação que viria a ter muita importância para discussões no âmbito da ciência geográfica.
Antipode já contou a com a participação de Geógrafos como Milton Santos e David Harvey, que até hoje é um dos colaboradores, além de um grupo de cientistas do mundo todo: EUA, Canadá, Japão, Índia, Inglaterra, Espanha, África do Sul, Holanda, Suíça, Quênia, coordenados sob a editoração de Noel Castree da Universidade de Manchester (Inglaterra) e Melissa Wright da Universidade da Pensilvânia (EUA).
[edit] Cartografia
Através da produção de mapas e cartas a Cartografia manifesta-se como uma linguagem essencial para a produção de imagens geográficas através de conceitos espaciais como Localização, Densidade, Distribuição, Escala, Distância. A cartografia clássica juntou-se com a abordagem mais moderna de análise geográfica, baseada em sistemas de informações geográficas computadorizadas (GIS).
A cartografia estuda a representação da superfície de Terra com símbolos abstractos. Pode-se, sem muita controvérsia, dizer que a cartografia é a semente da qual nasce, um campo Maior, a Geografia. Ainda que outras subcategorias da geografia confiem nos mapas para nos mostrar a sua análise, o actual fabrico de mapas é suficientemente abstracto para ser visto separadamente.
A cartografia cresceu duma colecção de projetos e técnicas até à ciência actual. Os cartógrafos devem aprender psicologia cognitiva e ergonómica para compreender quais os símbolos conduzem a uma informação sobre a Terra mais eficaz, e psicologia do comportamento para induzir os leitores dos seus mapas a actuar de acordo com a informação. Eles devem aprender correctamente geodesia e matemáticas avançadas para perceber como a forma da Terra distorce um mapa que está projectado numa superfície plana.
Os Sistemas de Informação Geográfica (SIG) processam a informação sobre a Terra num computador, de um modo preciso e apropriado ao propósito de informar. Por esse fato, em todas as subcategorias da geografia, os especialistas de SIG devem dominar o computador e sistemas de base de dados. O SIG revolucionou o campo da cartografia de tal forma que para se fazer um mapa hoje em dia recorre-se sempre a algum tipo de software de SIG.
[edit] Geógrafo e Professor de Geografia
No Brasil, um Geógrafo é o profissional que fez o Bacharelado em Geografia, legalmente habilitado através da Lei 6664/79, no qual remete-se ao registro no CREA de seu estado.
A diferenciação profissional entre um Geógrafo e um Professor de Geografia é que o Geógrafo possui habilitação legal para exercer funções de pesquisa, planejamento e investigação geográficas, assim como para a elaboração de Eia/Rima, podendo também prestar concursos públicos para quadros estatais que precisem de bacharelados.
Já o professor de Geografia é o profissional que tem titulação de Licenciado em Geografia, podendo exercer legalmente apenas as funções de docência, do 6º ano ao 9º ano do Ensino Fundamental (antigas 5ª a 8ª série), e todo o Ensino Médio.
Para lecionar no Ensino Superior, especialmente nas universidades públicas brasileiras, tanto o licenciado quanto o bacharelado comumente faz um curso de pós-graduação, não necessariamente na Geografia, mas também nas áreas afins. A obrigatoriedade fica por conta de cada edital de concurso ou da política interna das universidades.
Historicamente, o geógrafo vem perdendo colocação no mercado de trabalho para o Engenheiro Ambiental e geólogo, devido à visão segmentada do conhecimento que o mercado exigiu nos últimos anos, pois o geógrafo não se compatibiliza com análises segmentadas e sim é capacitado para lidar com a visão de totalidade que envolve as análises das dinâmicas sócio-espaciais, seu principal objeto de estudo.
Apesar de nos últimos anos o próprio modo capitalista de produção ter contribuído para a segmentação do conhecimento, há uma tendência no mercado de trabalho onde é importante ter a capacitação de analisar a totalidade dos fenômenos de maneira interdisciplinar. Dessa forma o Geógrafo acaba sendo um importante profissional cada vez mais designado para coordenar equipes multidisciplinares devido a sua formação abrangente.
Abaporu
É a tela brasileira mais valorizada em um leilão, tendo alcançado o valor de US$ 1,5 milhão, pago pelo colecionador argentino Eduardo Costantini em 1995. Encontra-se exposta no MALBA – Museu de Arte Latinoamericano de Buenos Aires.
Tarsila de Amaral valorizou o trabalho braçal (corpo grande) e desvalorizou o trabalho mental(cabeça pequena) na obra, pois era o trabalho braçal que tinha maior importância na época.
A composição - um homem, o sol e um cactus - inspirou Oswald de Andrade a escrever o Manifesto Antropófago e criar o Movimento Antropofágico, com a intenção de "deglutir" a cultura européia e transformá-la em algo bem brasileiro.